Linguagem inclusiva

(Trechos retirados da obra "Orientações para o uso de uma linguagem inclusiva", de autoria da Profa. Dra. Vanda Maria da Silva Elias, disponível para baixar neste link . Os grifos são nossos.)

"As orientações contidas neste documento tratam do uso da linguagem inclusiva de gênero estabelecida como diretriz na Unifesp a partir da Portaria Reitoria No. 3492/2020, e visam oferecer subsídios para que toda comunicação institucional utilize as normas vigentes da língua portuguesa numa perspectiva inclusiva de gênero, sobrepondo-se à predominância do masculino na linguagem.  Este primeiro conjunto de orientações ainda não é suficiente para incluir as pessoas que não se identificam na lógica binária de gênero. No entanto, a linguagem é dinâmica e, a partir do seu uso, pode-se incorporar novos sentidos, regras gramaticais e ortográficas. 

A Unifesp reafirma seu compromisso na defesa da diversidade sexual e de gênero e junto à comunidade LGBTQIA+ seguirá avançando na inclusão e respeito a todas as pessoas.

MAS POR QUE USAR UMA LINGUAGEM INCLUSIVA?

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) publicou, no dia 19 de novembro de 2020, a Portaria Reitoria nº 3492/2020, que normatiza os princípios de diversidade e de gênero dentro da instituição, e particularmente nos artigos 3º e 4º, a portaria prevê: 

1. O uso da linguagem neutra e inclusiva de gênero nas comunicações institucionais em geral; 

2. A flexão de gênero na nomeação de profissão ou grau em diplomas, certificados; e na designação de cargos/funções em documentos de identificação.  

ALGUMAS SUGESTÕES DE ESTRATÉGIAS PARA O USO DE UMA LINGUAGEM INCLUSIVA 

1. Indicação das formas feminina e masculina em substituição à predominância da forma masculina. Isso pode ser feito pelo uso da duplicação ou pelo uso de parênteses ou barras. 

Exemplo 1: "... mais de 386 mil psicólogas e psicólogos em todo o Brasil".

Exemplo 2: "Em um convite não apenas às futuras alunas e aos futuros alunos, mas também a todos(as) os(as) interessados(as) em “Direito, democracia e interesse público” 

Exemplo 3: "na escola, como professora/professor ou como aluna/aluno; na política, como candidata/o, administrador/a ou legislador/a, eleito/a, militante de um partido, cidadã/o comum(...) "

2. Indicação das formas feminina e masculina pela anteposição de artigo ou pronome, quando o nome for comum de (a) dois gêneros (ex.: cientista, paulista, paciente, estudante, jovem, etc.).

Exemplo 4: "No caso de substituição do(a) bolsista, a Coordenadoria de Projetos e Programas de Extensão, da ProEC, enviará um comunicado a(o) estudante, para sua devida ciência (…). 

3. Uso de palavras ou expressões genéricas para casos de referência à coletividade em que é pressuposta a diversidade de gênero (ex.: pessoa, população, humanidade,  direção, assessoria, corpo docente, equipe médica etc ) .  

Exemplo 5: "Enquanto isso, as autoridades de saúde pública tentavam desesperadamente rastrear qualquer um que tivesse entrado em contato com pessoas portadoras de um vírus mortal. "

Exemplo 6: "A decisão da diretoria sobre pagamento de bônus e divisão de responsabilidade foram tomadas rapidamente (…)"

Exemplo 7: "Uma equipe de cientistas não só identificou o novo fenótipo atribuído ao britânico de 10 mil anos atrás como também fez uma reconstrução detalhada de seu rosto."

Exemplo 8: "Outra iniciativa da OPAS é a promoção da saúde mental no contexto da pandemia, com informações direcionadas a profissionais de saúde, cuidadores*, população em geral, pessoas idosas e população venezuelana migrante." 

*Observa-se que a forma feminina “cuidadoras” pode ser explicitada nesse contexto. 

Exemplo 9: A relação entre a espécie humana* e a natureza deveria ser mais sustentável.

 *Além da destacada, outras formas como “ser(es) humano(s)”, “humanidade” podem ser usadas em substituição à forma masculina genérica “o homem”, conforme o contexto. 

Sobre as sugestões apresentadas no documento, caso haja dúvida, entre em contato com a Comissão Permanente de Diversidade Sexual e de Gênero pelo email: comissaodiversidade@unifesp.br